quinta-feira, 10 de novembro de 2011

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

NADA PODES ME ATINGIR

NADA PODES ME ATINGIR...
Nada podes me atingir, foi Dona Benedita, minha madrinha, negra forte, forte por demais, com seus poderes mágicos e divinos. Benzeu-me ainda pequeno, criança franzina, cabeça grande, por isso, diziam, esse é inteligente, cabeça grande, cérebro grande, muitos neurônios, Tai a explicação. Mas aquelas canelinhas finas, baixa estatura, quase raquítico. Esse vai precisar de sorte, Dona Benedita, ou Dona dita como quiser, me benzeu com reza braba, a mais forte que sabia. Cobra não me morde, cachorro também não. Não tenho medo de mal olhado, não sou homem assombrado, abelhas, só o mel, doce com cheiro de flor, foram tantas e apenas sobrevoaram-me a cabeça, marimbondo mora na minha varanda, mais caso contrario, urine na terra, faça um barro com boa liga e espalhe sobre local, não há remédio melhor, foi madrinha Benedita que me ensinou.
E assim eu sou, estou sempre correndo atrás de alguma coisa que me de prazer, sou divertido e ao mesmo tempo engraçado. Nunca corri ou foi preso pela policia, quase todos são meus amigos. Dona Benedita me botou no olhar o melhor jeito de olhar, de conquistar. Por onde passei só amigos deixei, por isso durmo tranqüilo, acordo cedo para ver a cantoria dos passarinhos, são pássaros pretos, bem-te-vis e sabias, e assim durante o dia vou me esgueirando pela sombra. Gosto de Raul Seixas e da sua simples filosofia, quase prefeita, não é mesmo amigo Pedro? Aonde você vai, eu também vou e tudo bem. Gosto do clássico Rolling Stones, a eletricidade de suas musicas. Sou amigo do rei, acho que foi que Madrinha Benedita que me fez, por isso sou feliz, por isso tomo uma branquinha no boteco, jogo bilhar, depois de tomar a saideira, que nem sempre não é a saideira , vou embora, já era hora, o tempo estava avançado, era mesmo hora de chegar.
Mas sempre lhe levo um agrado, todas elas gostam, conto uma estória, e tudo bem. Afinal estava apenas no boteco, bebendo, jogando bilhar, veja, ele ate esqueceu um giz atrás da orelha, nem adianta querer mentir, que estava em outro lugar.
Sou filho de baiano bravo, como os próprios baianos e inteligente como os novos baianos e outros baianos, me orgulho da minha terrinha, baiano sim, apesar de ter nascido em Goiás, minha mãe já veio comigo na barriga, um baianinho gerado lá e nascido aqui. Nasceu um baiano em Goiás, nasci de sete meses, um baianinho, com cara assustada e olhos espertos, carente mamei ate os três anos, e foi difícil do peito largar. Quem será esse moleque, com esse jeito, bom sujeito não será, passa aqui moleque ou vai querer apanhar?
Mas sou baiano, cabra arretado, cara feia não me assombra, santo forte, corpo fechado, sexta-feira lua cheia, não sou mais o mesmo, por isso quando chegar em min. Chegue com cuidado, peixe bom é peixe o fisgado, mulher boa é carinhosa. Mulheres, todas elas é preciso saber tratá-las, com carinho e jeito. Não podemos maltratá-las.
Gosto de contar estórias, casos da vida, que já vi passar, as vezes conto outro caso, só quem viveu pode entender, já viajei pra outros cantos, vi encantos, de outros mundos, deuses diferentes, acredite não, e só uma estória, só uma estória
Mas assim vou vivendo meu dia a dia, andando por ai, falando em português, provocando com meu baianês

sábado, 29 de novembro de 2008

URUAÇU UMA CIDADE CAIPIRA?...

Certo dia passando próxima a antiga prefeitura, notei algo diferente, estavam fazendo uma casinha com fortes pilares de aroeira e telhas velhas, aquelas, que a historia diz: “feita nas coxas” porque os escravos que faziam as aquelas telhas, moldavam nas coxas e como tinha vários escravos e pessoas de vários tamanhos, sempre haviam diferenças entre uma telha e outra. Hoje a expressão feita nas coxas tem outra conotação, as vezes bem pornográfica.
Mas voltando a casinha achei estranho e ainda mais quando colocaram um carro de boi , que parecia desproporcional a casinha. Mas tudo bem, mas achei que iam colocar outro objeto debaixo daquela casinha. Pensei logo, com a ferrovia norte sul, poderiam colocar uma locomotiva, ou ate reproduzir uma estação de trem ou ate uma lojinha para vender artesanato ou um barzinho.
Mas não colocaram um carro de boi e um homem de estatura franzina, com um ferrão, pra quem não conhece é uma vara com um ferrão de metal na ponta, que ajudada na direção do carro do boi, e o pequeno homem que além da sua cabaça de água ou cachaça pendurada no carro, tem um cigarrinho de palha atrás da orelha, que cigarrinho aquele eu não sei, poderia ser um cigarrinho do diabo, que para fumar e admirar as belas paisagens, por exemplo as da Serra Dourada, ou apenas um porronco para se distrair e espantar o marasmo.
Mas sempre achei que jeito de cidade caipira, povo pacato e hospitaleiro. Agora, só o sotaque não é tão nítido como os goianos do sul do estado. Talvez porque sofreu muito influencia dos nordestinos, minha família, por exemplo, e baiana. E assim vários outros nordestinos. Mas o que aqui de caipirice? E eu acho que o povo esta perdendo suas origens, por isso e bom um momento desses, pra lembrar como tudo começou. Carros a motor eram raríssimos. Naquela época, ate as estradas eram poucas e quando tinham eram a penas picadas, estradas rústicas, onde só as mulas, jumentos e carros de bois. Dessa caipirice Lembro – me da vendas que vendia doces, os mais doces, querosene puxado com uma bomba de dentro de uma lata de vinte litros, do fumo de rolo, vendido por metro, foices, enxadas enxadões jogado ao chão e muita cachaça de varias marcas nas prateleiras, e os homens bebiam de dose e depois jogar um pouquinho pro santo, cuspia no chão enquanto outros picavam com seus canivetes amolados e faziam seus cigarros e acendiam com as suas bingas.
Mas o que me causou espanto foi o que a idealizadora me relator, quando discutiam o tamanho das bolsas escrotais do boi, alguém achou que estava grande, então resolveram capar os pobres coitados, agora estão com os sacos muchinhos. Pensei comigo triste vida de boi carreiro alem de puxar muita carga, ainda se torna eunucos? Jamais poderão galantear aquela novilha que lhe estava lhe dando bola, ou pegar aquela vaca que era mole, mole. Triste a vida de boi carreiro, muita carga e nada de sexo. Outro fator desfavorável e que são apenas dois, na minha infância já vi carro com mais de dez boi, alem do mais o seus tamanhos parece tamanho de bezerro, mais isso é justificado, a genética da época era muito pouco desenvolvida.
Mas parabenizo a todos aqueles que somaram forças, a idealizadora, a construtora e todos a aqueles que deram idéias, mas, menos para aquele que deu palpite de capar os bichinhos, esse eu não perdôo.
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SEU JAIR SE FOI...

Seu Jair que era carroceiro, toda vida, égua gorda, cavalo alazão, vixe que cavalo “ bão”. Não tinha pressa, adotou essa filosofia de vida, mas não tinha preguiça, era cabra bão. Quando nasceu sua mãe logo disse esse vai chamar Jair, nome de craque, Jair o furacão da copa de setenta. Mais Seu Jair de furacão não tinha nada, nem mesmo jogava pelada. Ser carroceiro foi o presente que Deus lhe deu. Gostava de animais, cavalos, éguas. O prazer era vê–los saudáveis, vendendo saúde e muita força para o trabalho. Animal de carroceiro trabalha muito, serviço pesado. Carregar areia e cascalho isso dá muito trabalho, sem falar o cascalho. A madeira para as construções. Caibros e vigotas, aquilo atravessado na carroça, o cavalo fica nas pontinhas do pé, um pouquinho mais o animal fica suspenso no ar. Mas não, estufa o peito abre as narinas e num passo certo, logo, logo ta lá em cima. Êta cavalinho bom.
Seu Jair saia pela manhã, e logo fazia um ou dois carreto, pronto o dia estava ganho. Fazer o que? Passava no boteco, Tomava uma branquinha e mais outra e depois a saidera. Que sempre não era a saidera. Quem freqüenta boteco sabe como é. Então passava no açougue comprava uma costela, era muita coisa, pois o pessoal lá de casa come bastante. Esses meninos estão bem crescidinhos, na verdade são três negrões que poderia esta jogando de zagueiro em qualquer time do campeonato brasileiro. Série B é claro. Mas são todos uns pernas de pau, nem pra jogar futebol não serviram, essa é a opinião do pai, Seu Jair. Mas voltando a costela que é cozida no fogão a lenha, panela de ferro e com o tempero da mulher de Seu Jair.Todos vão comer e ficar lambendo os beiços. Seu Jair comeu também como se um cavalo fosse. Então, tira a camisa, tira a botina e pisa na terra, apesar de estar na sala, em sua casa, o piso é de terra batida. Seu Jair nunca as foi de mordenidades , geladeira, fogão a gás. É fogão a lenha mesmo, quando a lenha acaba e só ir ao mato e pegar outra carroça de lenha. Então pra que fogão a gás, tanquinho geladeira, pra que tanto luxo. A vida é simples, e foi assim que Seu Jair quis viver. Fora uma casa, uma mulher, duas filhas e 4 filhos, um Deus já levou. Família bonita, de cor negra, as mais belas espécies da raça. Até parecem aqueles negros que vê nos livros de história, pintados pelo pintor Debret, pago pelo rei de Portugal para pintar as coisas da terra. Isso é um pouco da vida de Seu Jair, meu amigo. Foi a vida que Deus lhe deu. Agora esta lá em cima, vendo cavalos pastarem em pastos verdes, tão verdes que doem os olhos. Seu Jair se foi. Fica com Deus, homem bom. primeira | < anterior | próxima >

SEU JAIR SE FOI...

Seu Jair que era carroceiro, toda vida, égua gorda, cavalo alazão, vixe que cavalo “ bão”. Não tinha pressa, adotou essa filosofia de vida, mas não tinha preguiça, era cabra bão. Quando nasceu sua mãe logo disse esse vai chamar Jair, nome de craque, Jair o furacão da copa de setenta. Mais Seu Jair de furacão não tinha nada, nem mesmo jogava pelada. Ser carroceiro foi o presente que Deus lhe deu. Gostava de animais, cavalos, éguas. O prazer era vê–los saudáveis, vendendo saúde e muita força para o trabalho. Animal de carroceiro trabalha muito, serviço pesado. Carregar areia e cascalho isso dá muito trabalho, sem falar o cascalho. A madeira para as construções. Caibros e vigotas, aquilo atravessado na carroça, o cavalo fica nas pontinhas do pé, um pouquinho mais o animal fica suspenso no ar. Mas não, estufa o peito abre as narinas e num passo certo, logo, logo ta lá em cima. Êta cavalinho bom.
Seu Jair saia pela manhã, e logo fazia um ou dois carreto, pronto o dia estava ganho. Fazer o que? Passava no boteco, Tomava uma branquinha e mais outra e depois a saidera. Que sempre não era a saidera. Quem freqüenta boteco sabe como é. Então passava no açougue comprava uma costela, era muita coisa, pois o pessoal lá de casa come bastante. Esses meninos estão bem crescidinhos, na verdade são três negrões que poderia esta jogando de zagueiro em qualquer time do campeonato brasileiro. Série B é claro. Mas são todos uns pernas de pau, nem pra jogar futebol não serviram, essa é a opinião do pai, Seu Jair. Mas voltando a costela que é cozida no fogão a lenha, panela de ferro e com o tempero da mulher de Seu Jair.Todos vão comer e ficar lambendo os beiços. Seu Jair comeu também como se um cavalo fosse. Então, tira a camisa, tira a botina e pisa na terra, apesar de estar na sala, em sua casa, o piso é de terra batida. Seu Jair nunca as foi de mordenidades , geladeira, fogão a gás. É fogão a lenha mesmo, quando a lenha acaba e só ir ao mato e pegar outra carroça de lenha. Então pra que fogão a gás, tanquinho geladeira, pra que tanto luxo. A vida é simples, e foi assim que Seu Jair quis viver. Fora uma casa, uma mulher, duas filhas e 4 filhos, um Deus já levou. Família bonita, de cor negra, as mais belas espécies da raça. Até parecem aqueles negros que vê nos livros de história, pintados pelo pintor Debret, pago pelo rei de Portugal para pintar as coisas da terra. Isso é um pouco da vida de Seu Jair, meu amigo. Foi a vida que Deus lhe deu. Agora esta lá em cima, vendo cavalos pastarem em pastos verdes, tão verdes que doem os olhos. Seu Jair se foi. Fica com Deus, homem bom. primeira | < anterior | próxima >